segunda-feira, 28 de abril de 2008

"Quatro Estações"




Já vai longe a primavera... os campos verdejantes...

Onde a criança brincava. O céu azul... inebriante...

Flores brotando... ramalhetes de sonho infantil,

A perfumar de alegria, a crença pueril.


Tempo de paz...um lago calmo...rara beleza...

Os frutos doces...cantigas de roda... “as malvadezas...”.

O horizonte abrindo-se largo, sem fronteiras.

A mãe, zelosa, dando as broncas corriqueiras.


Os dias eram longos. As alegrias, também...

O choro era breve... nosso riso ia mais além...

Tínhamos esperança e dos sonhos, a amplidão.

E tudo isso, cabia, na palma de nossa mão.


Já vai longe o verão...! Campos em chamas...

Onde o jovem se abrasa. Ígneo, o céu se inflama.

Paixões brotam em buquês. Os desejos juvenis

Perfumando o ar libidinoso...arroubos...desvarios...


Tempo do amor...! Um mar em fúria...! O templo da beleza...!

Corpos em êxtase...canções promíscuas... “as safadezas...”.

O horizonte a esmo, largo...sem fronteiras.

E a mesma mãe, ciosa, a nos falar “asneiras”.


Os dias eram intensos. Os prazeres, também...

O pranto efêmero...nosso gozo ia mais além...

Tínhamos vigor, a energia fluía de nossas mãos.

E toda essa força, cabia, em nosso coração.


Já vem chegando o outono...! Campos pelo vento, açoitados.

Onde o homem cisma. Gris, o céu parece desbotado.

Flores murchando...o medo se abrindo em buquês...

Um cheiro agridoce a nos encher de dúvidas e porquês...


O tempo é rápido...! Um mar que oscila na incerteza...!

O corpo se exaure na instável correnteza.

O horizonte vai se fechando. Ao longe...as fronteiras.

E a mãe, ausente...suas palavras sábias...verdadeiras...


Os dias passam céleres. As venturas, também...

O choro prolonga-se...a dor vai mais além...

O vigor se esvai...escapa pela nossa mão...

E toda essa angustia, cabe, em nosso coração.


O inverno se aproxima...! Campos de geada, cobertos.

Onde o velho decai. Cinéreo é o céu...o pôr-do-sol, deserto...

Folhas secas num ramalhete de flores estioladas.

Um cheiro acre a perfumar a alma cansada.


O tempo para... um pântano estagnado na imundície...

Os frutos bichados...nênias ao vento... “as caduquices...”.

O horizonte não mais se avista. Superamos todas as fronteiras.

A mãe saudosa...chama...! É a viajem derradeira...


Os dias passam lentos. A agonia, também...

O riso se estanca...o tédio vai um pouco mais além...

Os tempos idos trazem luz e trevas ao coração.

E tanta vida...longe...fora do alcance de nossa mão...


De Hyppólito














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