Eu me recordo...
Eu sou o que me falta...
Eu sou o que fica quando tudo vai embora…
Eu me recordo… era tão pequeno…
quando à antiga escola me levaste.
E, ao chegar, após um breve beijo,
com calmo sorriso me falaste:
que logo virias me buscar,
que não precisava me preocupar.
Fui, devagar, descendo a escadaria,
trêmulo, com vontade de chorar.
No pátio da velha escola,
crianças corriam, brincavam,
numa euforia plena de liberdade,
infantilmente se esbaldavam.
Pareciam filhotes de aves,
tão distantes de seus ninhos.
Livres, voavam alegres;
triste, eu voava sozinho…
Mais uma vez ergui meu olhar,
teu vulto, ansioso, procurei.
Lá da rua, calmamente a me fitar,
parecias triste, eu achei…
Quis, então, voltar ao pé da escada,
mas fiquei ali parado, pobre menino...
vendo tua figura que se afastava,
pressentindo ali, talvez, o meu destino…
O sinal tocou… ainda o escuto…
Na grande fila entrei, resignado.
Ela arrastava-se lentamente…
Fui, então, por mãos estranhas levado.
Hoje… após tantos anos passados,
ao rememorar esta passagem,
não posso deixar de ver e constatar:
nesta longa e quase dolorosa viagem,
que tudo que vejo e percebo nela
tem um sentido… um significado…
Pois, mais uma vez, eu fui,
agora para sempre, por ti, deixado.
A vida é a escola onde me encontro perdido.
Entre sorrisos efêmeros e fúteis,
vou buscando algo que dê sentido
a dias tão longos e inúteis…
O pátio da escola agora está vazio.
Só há nele: desespero… solidão…
Continuo voando, triste e só,
perdido em minha própria imensidão.
Resta-me apenas uma leve esperança,
nesta dor atroz e infinda:
que, no final da grande aula,
venhas, quem sabe, buscar-me ainda…
De Hyppólito (Elsio Poeta)
Poema escrito em 2002

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