Leão Vencido
“Os tronos caem, os reis morrem, o tempo permanece”
De cima do monte, Velho Leão,
contemplas a vastidão da selva, solitário.
Sim, jovens leões, vorazes se aproximam!
Sim, já não temem o Velho Rei!
Eles vêm com audácia e arrogância de mancebos,
trazem força, garra e coragem em si.
Vêm urinando em tuas demarcações
e, incontinentes, avançam sobre teu harém.
E tu, Velho Leão, tentas soltar o último urro,
urro que soa fraco… quase um lamento.
E há nesse urro tanta entrega… consentimento.
Silencioso e cabisbaixo, desces a velha montanha,
deixando todo o teu reino para trás.
Lá embaixo, a imensa savana, tórrida de sol, te aguarda.
Os antílopes ainda te temem e, lépidos, tentam se safar,
mas tu não tens força nem para caminhar,
quanto mais para correr, quanto mais para caçar.
Sob o sol escaldante, encontras uma carniça.
Dela tentas, em vão, te aproximar,
pois as hienas a farejaram primeiro,
e nem da podridão consegues te alimentar.
As hienas já não te respeitam, caçoam de ti
e, sobre teu corpo alquebrado, investem.
É nesse momento que percebes a desgraça:
Não és mais caçador. És a caça…
Com movimentos lentos, patadas débeis e banais,
inutilmente tentas das feras te defender.
No céu, bandos de abutres se alvoroçam,
o régio banquete antegozam, famintos…
Teu último urro é quase um gemido, quase um lamento,
e há nesse urro tanta dor… consentimento.
Caros amigos, percebem, em tudo isso,
um humano e terrível significado?
No mundo, tantos reis depostos,
na selva, quantos leões tombados.
De Hyppólito (Elsio Poeta)
Poema escrito em 2009

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