PREFÁCIO

 

A minha melhor poesia é aquela que nunca escrevi

e que talvez nunca escreverei.

Morrerá silenciosa,

como uma lágrima seca dentro de mim.


                                                                De Hyppólito

 

domingo, 27 de abril de 2008

Dessepulta-me...!

                                   

                                            




Dessepulta-me…!


“Amo-te até te destruir.”
(Inspirado em Clarice Lispector)



Acorda-me…!
Tenho andado dormindo por todos esses anos…
Restitua-me o sonho… as ilusões… as crenças…
Desata-me dos laços frios da indiferença…
Reconstitua o ser humano que havia em mim.

Dessepulta-me…!
Ressuscita no calor dos teus braços
a vitalidade de meu corpo e de minha alma…
Enlouqueça-me…!
Há muito tenho andado sonolento na razão…

Explora-me…!
Faça de cada parte de mim tua posse,
teu objeto, teu poder…
Submeta-me…! Restringe-me a ti!
Confine-me em teus calabouços…
Faça-me sentir a liberdade dos possuídos…

Contesta-me…!
Não aceite como tuas minhas verdades.
Reeduca-me como se eu fosse uma criança
brincando de ser homem pela vida…

Viola-me…!
Com teus olhos que conhecem a coragem
e que enxergam em mim a covardia…
Desdenha destes meus temores.
Ensina-me a ousar…
a não temer fracassos…

Liberta-me...!
Da redoma fria em que me isolei.
Reabra-me...! Disseca-me...!
E depois... Fecha-me...!
Com teu amor... para sempre...!
Dentro de mim...

                                                      De Hyppólito (Elsio Poeta)


Poema escrito nos anos 90

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