Do livro: Contos de Vidas que não Vivi
A imagem de meu Pai
Me lembro da velha
casa em que morei,
a infância ali
transcorreu sem dores.
Era uma casa
esquisita, cheia (aos meus olhos de criança)
de lugares escondidos
num aranhol de corredores.
À noite, antes de ir
dormir,
sempre via no final de
um longo corredor
a imagem de meu Pai
sentado à mesa da sala,
a ler, a escrever e, por muitas vezes...
a olhar para o
nada...
O tempo passou...
a casa foi embora...
com seus corredores
empoeirados,
levando junto a imagem de meu pai
também...
Mas a lembrança da
corporatura de meu velho,
sentando e meditando no final do corredor,
permanece em mim até
os dias de hoje.
Caminho por este
mundo
(que para mim tornou-se
um claustro),
cheio de dúvidas e de
temores,
procurando a imagem enigmática
de meu Pai
no final destes
longos e intermináveis
corredores...
De Hyppólito (Elsio Poeta)
Poema escrito em 2022
Um comentário:
Que poema delicado e tocante, Elsio. A imagem do pai sentado no final do corredor, olhando para o nada, é daquelas que ficam marcadas. Você transforma uma lembrança simples da infância em uma busca eterna pelo pai nos corredores da vida adulta. O fechamento com “procurando a imagem enigmática de meu Pai” é lindo e melancólico. Parabéns pela sensibilidade. Continua escrevendo, poeta.
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