PREFÁCIO

 

A minha melhor poesia é aquela que nunca escrevi

e que talvez nunca escreverei.

Morrerá silenciosa,

como uma lágrima seca dentro de mim.


                                                                De Hyppólito

 

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Homens de Toga


                                                 

                                                                                     


                                           Homens de Toga


“De tanto ver triunfar as nulidades;
 de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça.
 De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar-se da virtude,
a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”

Rui Barbosa




 


Homens de toga, de obscuros intentos...

sois sim a materialidade do mal.

Há em vossos olhos o rubor sanguinolento

das faces esculpidas em templos de Baal.

 

Homens de Toga, de sombrias almas...

onipotentes na prepotência inerente ao mau-caratismo.

Vossos desmandos causam danos, causam traumas...

arquétipos da insensatez, simulacros vis do humanismo.

 

Homens de Toga, ímprobos, tiranos de caquéticos desígnios...

onipresentes em tudo que corrompe, em tudo que suborna.

Sois guardiães inexoráveis das falcatruas, dos latrocínios,

representais tudo que é fétido, tudo que transtorna.

 

Homens de Toga, párias nauseabundos e saltitantes...

seres abjetos que se enraizaram no poder e na cobiça,

quem vos deu, seres da banalidade circunstantes,

o direito de sem direito usurparem a Justiça?!

 

Homens de Toga, déspotas soberbos da maldade...

abrigados na intocabilidade de vosso torpe casuísmo,

vão delegando aos asseclas vis de vossa iniquidade

a sordidez malsã e destrutiva do cinismo.

 

Homens de Toga, déspotas insanos, parvos, estultos...

estátuas de sal, pavilhões estúpidos da onisciência.

Secareis como a figueira que não deu fruto,

pela torpeza vil da vossa jurisprudência.


                                                                           De Hyppólito (Elsio Poeta)


Poema escrito em 2022



                                                                              

   





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