Tempos Difíceis
(Baseado
em Miquéias 7)
“Infeliz
a geração cujos juízes merecem ser julgados”
(Talmud)
Tempos
difíceis, estes que nos assolam…
a
crença na justiça vai, aos poucos, fenecendo em nós…
Estamos como os restos da colheita,
jogados ao chão, dia a dia sendo pisoteados
pela horda de filisteus insanos.
Perece na terra o homem justo,
e o “grande” fala com orgulho da corrupção de sua
alma…
os asseclas do mal caçam sem piedade os homens de bem,
e os jornais glorificam, em suas páginas, as bestas
famulentas…
Não há mais água limpa para que possamos saciar a sede;
a justiça secou em todas as instâncias…
não há a quem recorrer…
nossos juízes se apressaram à recompensa,
e os fóruns da sensatez entraram em recesso.
O melhor deles é como o lodo entre as pedras;
o mais íntegro...? Como uma cerca de espinhos…
não confies em nenhum…!
Dos que se dizem teus amigos e até dos que vivem
em tua casa:
guarda as portas de tua boca…!
Pois o filho tratará seu pai como louco,
e a esposa, seu marido, como se estúpido fosse…!
Os inimigos do homem serão os de sua própria casa.
Mas eu, porém, olharei para o meu Deus,
e porei minha esperança em suas mãos…
Pois Ele é o Deus de minha salvação:
e Ele, sem dúvida, me ouvirá.
“Ó inimigos meus, não se alegrem a meu respeito;
ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei;
e, se morar nas trevas, o Senhor será a minha luz.”
De Hyppólito (Elsio Poeta)
Poema escrito em 2020

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