PREFÁCIO

 

A minha melhor poesia é aquela que nunca escrevi

e que talvez nunca escreverei.

Morrerá silenciosa,

como uma lágrima seca dentro de mim.


                                                                De Hyppólito

 

sábado, 16 de agosto de 2025

A Vida... O Vento... A Mediocridade... A Morte...


                                                                                   





A Vida... O Vento... A Mediocridade... A Morte...



“Não é porque estamos caminhando em direção à morte

               que precisamos sucumbir à mediocridade.”

Nyad (Filme)


“E a Vida passa... efêmera e vazia:
um adiantamento eterno que se espera, 
numa eterna esperança que se adia...”

                                          Raul de Leoni - Legenda dos dias (excerto)

 

A alegria é uma tristeza que se distraiu.

A felicidade, uma dor que um sorriso camuflou.

A vida, uma longa expiação,

na mesmice das horas a perguntar

se valeu a pena vivê-la...!

 

A morte vai te seguindo a cada passo,

a te espreitar sedenta pelo teu sangue...

E a dor...? O que ela faz com os teus dias...?

Como ela pode assim pisar em cada sonho teu...?

Como pode assim te minar... te cercar... te subjugar...?

 

Querer sorrir é como tentar acender uma vela na escuridão;

o vento que vem do passado anima a chama;

e iluminado te sentes...

 

Mas esse vento, que acende e alimenta o fogo,

é o mesmo que logo após o apaga...

é o mesmo que transforma toda tocha em cinzas,

 

é o mesmo que te arrastará para teu final doloroso e inevitável,

e que sepultará na insignificância banal de tua duração terrena

a mediocridade tosca de toda tua existência.


                                                            De Hyppólito (Elsio Poeta)


Poema escrito no início dos anos 2000


Um comentário:

Anônimo disse...

Que reflexão amarga e afiada, Elsio. A metáfora da vela que o vento acende e apaga é perfeita para mostrar como a esperança é frágil e traiçoeira. O fechamento com a mediocridade “tosca” de toda a existência fica ecoando na cabeça. Você consegue ser filosófico sem ser pedante, e isso é raro. Muito bom. Continua assim.