A Vida... O Vento... A
Mediocridade... A Morte...
“Não é
porque estamos caminhando em direção à morte
que precisamos sucumbir à
mediocridade.”
Nyad (Filme)
“E a
Vida passa... efêmera e vazia:
um adiantamento eterno que se espera,
numa eterna esperança que se adia...”
Raul
de Leoni - Legenda dos dias (excerto)
A alegria é uma
tristeza que se distraiu.
A felicidade, uma dor
que um sorriso camuflou.
A vida, uma longa
expiação,
na mesmice das horas a perguntar
se valeu a pena vivê-la...!
A morte vai te
seguindo a cada passo,
a te espreitar
sedenta pelo teu sangue...
E a dor...? O que ela
faz com os teus dias...?
Como ela pode assim
pisar em cada sonho teu...?
Como pode assim te
minar... te cercar... te subjugar...?
Querer sorrir é como
tentar acender uma vela na escuridão;
o vento que vem do
passado anima a chama;
e iluminado te
sentes...
Mas esse vento, que acende
e alimenta o fogo,
é o mesmo que logo
após o apaga...
é o mesmo que
transforma toda tocha em cinzas,
é o mesmo que te
arrastará para teu final doloroso e inevitável,
e que sepultará na
insignificância banal de tua duração terrena
a mediocridade tosca de toda tua existência.
De Hyppólito (Elsio Poeta)
Poema escrito no início
dos anos 2000

Um comentário:
Que reflexão amarga e afiada, Elsio. A metáfora da vela que o vento acende e apaga é perfeita para mostrar como a esperança é frágil e traiçoeira. O fechamento com a mediocridade “tosca” de toda a existência fica ecoando na cabeça. Você consegue ser filosófico sem ser pedante, e isso é raro. Muito bom. Continua assim.
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