De cima do monte, Velho Leão!
Contemplas a vastidão da selva, solitário.
Sim! Jovens leões, vorazes se aproximam .
Sim! Eles não temem mais o Velho Rei.
Eles vêm com a audácia e a arrogância dos mancebos.
Eles possuem a força, a garra e a coragem.
Eles vêm urinando em tuas demarcações
E incontinentes avançam sobre teu harém.
E tu, Velho Leão! Tentas então, o último urro soltar
Último urro que soa fraco...quase um lamento.
E há nesse urro, tanta entrega....consentimento.
Silencioso e cabisbaixo desces a velha montanha,
Todo teu reino deixando para trás
Lá embaixo a imensa savana, tórrida de Sol, o aguarda.
Os antílopes, ainda o temem e lépidos tentam se safar,
Mas, tu não tem força nem para caminhar,
Quanto mais para correr, quanto mais para caçar.
Sob o Sol escaldante, achas uma carniça
Dela tentas, em vão, te aproximar,
Pois as hienas a farejaram primeiro
E nem com a podridão consegues te alimentar.
As hienas não mais te respeitam, caçoam de ti
E sobre teu corpo alquebrado, investem.
É nesse momento que percebes a desgraça,
Não és mais o caçador. És a caça...!
Com movimentos lentos, patadas débeis e banais
Inutilmente tentas das feras te defender
No céu, bandos de abutres se alvoroçam
O régio banquete pressentem e famintos, o antegozam...
Teu último urro é quase um gemido, é quase um lamento
E há nesse urro tanta dor ...consentimento.
Caros amigos! Percebem em tudo isso,
Um humano e terrível significado?
No Mundo, tantos reis depostos,
Na Selva, quantos leões tombados.
De Hyppólito




0 comentários:
Postar um comentário