segunda-feira, 28 de abril de 2008

"Leão Vencido"

De cima do monte, Velho Leão!

Contemplas a vastidão da selva, solitário.

Sim! Jovens leões, vorazes se aproximam .

Sim! Eles não temem mais o Velho Rei.


Eles vêm com a audácia e a arrogância dos mancebos.

Eles possuem a força, a garra e a coragem.

Eles vêm urinando em tuas demarcações

E incontinentes avançam sobre teu harém.


E tu, Velho Leão! Tentas então, o último urro soltar

Último urro que soa fraco...quase um lamento.

E há nesse urro, tanta entrega....consentimento.


Silencioso e cabisbaixo desces a velha montanha,

Todo teu reino deixando para trás

Lá embaixo a imensa savana, tórrida de Sol, o aguarda.


Os antílopes, ainda o temem e lépidos tentam se safar,

Mas, tu não tem força nem para caminhar,

Quanto mais para correr, quanto mais para caçar.


Sob o Sol escaldante, achas uma carniça

Dela tentas, em vão, te aproximar,

Pois as hienas a farejaram primeiro

E nem com a podridão consegues te alimentar.


As hienas não mais te respeitam, caçoam de ti

E sobre teu corpo alquebrado, investem.

É nesse momento que percebes a desgraça,

Não és mais o caçador. És a caça...!


Com movimentos lentos, patadas débeis e banais

Inutilmente tentas das feras te defender

No céu, bandos de abutres se alvoroçam

O régio banquete pressentem e famintos, o antegozam...


Teu último urro é quase um gemido, é quase um lamento

E há nesse urro tanta dor ...consentimento.


Caros amigos! Percebem em tudo isso,

Um humano e terrível significado?

No Mundo, tantos reis depostos,

Na Selva, quantos leões tombados.

De Hyppólito







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