Inspirado no célebre texto de Marina Colasanti
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Augusto dos Anjos (Versos Íntimos)
“Amoldar-se
ao mundo e às suas regras não quer dizer que as aceitamos nem que fazemos
parte delas…”
a brigar por vagas nos estacionamentos, a brigar por vagas nos empregos, a brigar por espaço no coração de alguém…
A gente se acostuma… a ser promovido e sentir-se humilhado, a ser escolhido e sentir-se relegado, a ser abençoado e sentir-se maldito.
A gente se acostuma… a colegas que nos tiram da solidão sem nos proporcionar companhia, a beijar sapos que não se tornam príncipes, a frequentar lugares que odiamos e a conviver com pessoas que nada nos acrescentam e que para nós nada significam…
A gente se acostuma… a ser gerido pela incompetência, a ser torturado por ela sem clemência, a ser peça em mãos inescrupulosas que violam nossa inteligência…
A gente se acostuma… a encarar a vida como um mero exercício de aceitação… a deitar no “Leito de Procusto” das regras sociais… a amputar nossas aspirações, nossos anseios, nossas esperanças…
A gente se acostuma… a crer que é dando que se recebe, a crer que é fechando os olhos que se perdoa, a crer que é sofrendo que se forja escudos…
A gente se acostuma… à gravata apertada das instituições, à saia justa das negociações, ao manto vil da cumplicidade…
A gente se acostuma… à corrupção dos elogios fraudulentos, à adulação hipócrita de nossos subordinados e à torpe indulgência de nossos superiores…
A gente se acostuma… a ser parte de uma estatística acéfala, uma estatística que não gera nada… não cria nada… não prova nada… que nos reduz a nada…
A gente se acostuma… a ganhar batalhas, perdendo-as, a triunfar sentindo a inutilidade da conquista e sentir o fel da vitória pírrica.
A gente se acostuma… a enterrar nossos sonhos, nossos ideais, a ocultar nossos mais caros sentimentos, a engolir a seco toda a mediocridade do mundo, a aplaudir de pé a farsa infame dos hipócritas…
A gente se acostuma… a ser fera para não ser devorado por feras, a participar desse jogo sem questionar suas regras, a aceitar a trapaça no blefe dos farsantes…
A gente se acostuma… a não olhar para frente com medo do tempo que se esgota e que nos consome…
A gente se acostuma… ao medo do que virá, do que será, do que farei…
A gente se acostuma… a fazer várias coisas ao mesmo tempo sem se concentrar em uma, a ver nossa vida esvaindo-se rapidamente na volúpia das horas sem se dar conta disso…
A gente se acostuma… a ver nossos filhos crescerem na mesma proporção dos nossos medos, a ver a cada dia nossa imagem no espelho refletida sem nos enxergarmos, a envelhecer sufocando a criança que brinca em nosso peito…
A gente se acostuma… a se despedir chegando, a chegar partindo… a não olhar para trás com medo de ver que nos deixamos no caminho, que alguma parte de nós ficou na estrada, talvez a nossa melhor parte…
A gente se acostuma… a ver entes queridos partindo, nossos amigos sumindo… as mesas ficando vazias… a gente se acostuma a ficar cada vez mais só…
A gente se acostuma… a ser promovido e sentir-se humilhado, a ser escolhido e sentir-se relegado, a ser abençoado e sentir-se maldito.
A gente se acostuma… a colegas que nos tiram da solidão sem nos proporcionar companhia, a beijar sapos que não se tornam príncipes, a frequentar lugares que odiamos e a conviver com pessoas que nada nos acrescentam e que para nós nada significam…
A gente se acostuma… a ser gerido pela incompetência, a ser torturado por ela sem clemência, a ser peça em mãos inescrupulosas que violam nossa inteligência…
A gente se acostuma… a encarar a vida como um mero exercício de aceitação… a deitar no “Leito de Procusto” das regras sociais… a amputar nossas aspirações, nossos anseios, nossas esperanças…
A gente se acostuma… a crer que é dando que se recebe, a crer que é fechando os olhos que se perdoa, a crer que é sofrendo que se forja escudos…
A gente se acostuma… à gravata apertada das instituições, à saia justa das negociações, ao manto vil da cumplicidade…
A gente se acostuma… à corrupção dos elogios fraudulentos, à adulação hipócrita de nossos subordinados e à torpe indulgência de nossos superiores…
A gente se acostuma… a ser parte de uma estatística acéfala, uma estatística que não gera nada… não cria nada… não prova nada… que nos reduz a nada…
A gente se acostuma… a ganhar batalhas, perdendo-as, a triunfar sentindo a inutilidade da conquista e sentir o fel da vitória pírrica.
A gente se acostuma… a enterrar nossos sonhos, nossos ideais, a ocultar nossos mais caros sentimentos, a engolir a seco toda a mediocridade do mundo, a aplaudir de pé a farsa infame dos hipócritas…
A gente se acostuma… a ser fera para não ser devorado por feras, a participar desse jogo sem questionar suas regras, a aceitar a trapaça no blefe dos farsantes…
A gente se acostuma… a não olhar para frente com medo do tempo que se esgota e que nos consome…
A gente se acostuma… ao medo do que virá, do que será, do que farei…
A gente se acostuma… a fazer várias coisas ao mesmo tempo sem se concentrar em uma, a ver nossa vida esvaindo-se rapidamente na volúpia das horas sem se dar conta disso…
A gente se acostuma… a ver nossos filhos crescerem na mesma proporção dos nossos medos, a ver a cada dia nossa imagem no espelho refletida sem nos enxergarmos, a envelhecer sufocando a criança que brinca em nosso peito…
A gente se acostuma… a se despedir chegando, a chegar partindo… a não olhar para trás com medo de ver que nos deixamos no caminho, que alguma parte de nós ficou na estrada, talvez a nossa melhor parte…
A gente se acostuma… a ver entes queridos partindo, nossos amigos sumindo… as mesas ficando vazias… a gente se acostuma a ficar cada vez mais só…
Sim…! A gente se acostuma…, mas não devia.
De Hyppólito (Elsio Poeta)
Poema escrito por volta de 2015

3 comentários:
Não! Não é vida que nos acostuma.
É a indiferença estranha da vida
Que acostuma a gente convencida
Que o certo é flutuar num mar de espuma!
A ser levado aonde o vento ruma
É não ter consciência que a descida
É ao abismo sem volta ou saída.
Para crescer, há a lucidez, em suma!
Gostei do teu espaço e poesia
Que espiritualizando, o amor recria
Razão para correr atrás do sonho.
Sonho que é luz e paz. É alegria
Que nasce na alma e à mente envia.
No coração cresce o amor - suponho!
Grande abraço! Laerte.
Bravo👏👏
@etcontroverso
Obrigado por sua visita.
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