A fera
“O pior cárcere
é aquele que não se vê.”
Dentro da jaula, a
fera, solitária…
segue em círculos sua
ronda tediosa,
encarcerando em si a
liberdade… — “visionária”…
Sonha inutilmente com
seu rugido despertar…
àqueles que, sem
piedade, lhe acorrentam,
na agonia imensa do
esperar…
Sua patada é tão
tímida, nada alcança…
nem a mosca que,
sórdida, voeja em sua jaula,
nem as grades que lhe
cegam a esperança…
O que há para além de
seu cárcere lhe assusta…
desiste e, acomodada
a si mesma, adormece…
na cela, numa pose quase
“augusta” …
Adestrada pelo medo do
mal e dos reveses,
a fera de uma forma quase
obscena,
repousa no miasma de
suas próprias fezes.
De Hyppólito (Elsio Poeta)
Poema esboçado nos anos
80 e finalizado em 2026

Nenhum comentário:
Postar um comentário