PREFÁCIO

 

A minha melhor poesia é aquela que nunca escrevi

e que talvez nunca escreverei.

Morrerá silenciosa,

como uma lágrima seca dentro de mim.


                                                                De Hyppólito

 

sábado, 29 de julho de 2017

Fé Descrente




                                                                                              






Fé Descrente

“Não são gigantes, são moinhos de vento.”

Sancho Pança, Dom Quixote (Miguel de Cervantes)



Sentado à mesa, observo meu filho no tapete a brincar,
deixo-me um pouco… e a ele volto minha atenção.
Há nas mãozinhas dele dois bonecos…
um é o bom… outro é o mau…

Na sua concepção infantil não existe o meio-termo,
um representa o “Bem”, que há de sempre triunfar…
outro representa o “Mal”, que sempre perderá…
Ele sempre me convida para da brincadeira participar…
sempre digo que não posso… Que tenho outros afazeres…
mentira torpe e deslavada...!

A verdade é que não acredito mais em heróis que fazem o bem triunfar…
acredito mais nos vilões que armam ciladas… emboscadas…
nos “Dragões do Mal” que sempre destroem com seu fogo nossos castelos…
na eficiência dos estrategistas hediondos,
a arquitetarem com maestria para nós o dano.

Minha lança do bem...?! Quebrou-se…!
devo tê-la partido quando a enrosquei em algum desses improváveis moinhos de vento...
ou quem sabe…? Rompeu-se com a fúria das rudes procelas...

Por isso, meu filho… ficarei aqui, sentado, a te contemplar…
com mil demônios no meu peito a se confrontarem…
Ficarei mesmo que descrente… crendo…!
Que um dia, ao riso pueril de uma criança,
  toda maldade humana, enfim, sucumbirá…
ao mesmo tempo pressentindo e temendo
a imensa frustração que esta crença me trará.


                                                                                 De Hyppólito (Elsio Poeta)

Poema escrito em 2005



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