PREFÁCIO

 

A minha melhor poesia é aquela que nunca escrevi

e que talvez nunca escreverei.

Morrerá silenciosa,

como uma lágrima seca dentro de mim.


                                                                De Hyppólito

 

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Namoro no Sofá

 





Namoro no Sofá 

 

 

 

Ainda me lembro… seus pais foram dormir…

E tiveram, naquela noite, sono profundo…

e o velho sofá tornou-se para nós

o lugar mais aconchegante deste mundo.

 

Beijávamo-nos com sofreguidão,

nossas bocas estalavam ruidosas,

minhas mãos lentamente levantaram teu vestido

e encontraram tuas coxas alvas e sedosas.

 

Num débil pudor pediu-me que parasse,

mas elas, desobedientes, te exploravam…

 

Num libidinoso e carnal desatino,

desabotoei-te a blusa de cetim.

Teus seios, túmidos de desejo, revelaram-se…

tinham eles a brancura imaculada do marfim.

 

Teus mamilos róseos e tesos

por meus lábios sedentos… esperavam…

com sofreguidão sorvi-os.

E como se fossem a última esperança

de um soldado no deserto,

regalei meus lábios sequiosos naqueles

úmidos cantis...

 

Não havia mais volta…

Entregamo-nos de vez à insana perversão.

 

E foi nesse momento que ousei um pouco mais…

tirei-te do corpo o último escudo.

E nesse arroubo febril

rasguei sem querer

a sedosa e úmida calcinha...

 

Meus olhos, apressados, percorreram ávidos

o caminho que ia de teus joelhos ao local desejado…

e devo confessar… ficaram extasiados

quando o calabouço, lúbrico de desejo,

revelou-se…

 

E na carnalidade desse doce desatino,

penetrei-te...

como um caçador penetra a selva escura,

sem saber bem o que invade e o que viola,

penetrei-te...

 

Seu corpo sobre o meu

contorcia-se freneticamente,

dobrando-se e elevando-se,

na plenitude famélica do gozo.

 

E foi num contubérnio idílico de sibaritas,

corpos à beira da apetitosa lassidão,

que juntamos ao alto nossos braços tesos

na simultânea intensidade da devassidão…


                                                                                De Hyppólito (Elsio Poeta)


Poema escrito em 2017

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