Namoro no Sofá
Ainda me lembro… seus pais foram dormir…
E tiveram, naquela noite, sono profundo…
e o velho sofá tornou-se para nós
o lugar mais aconchegante deste mundo.
Beijávamo-nos com sofreguidão,
nossas bocas estalavam ruidosas,
minhas mãos lentamente levantaram teu vestido
e encontraram tuas coxas alvas e sedosas.
Num débil pudor pediu-me que parasse,
mas elas, desobedientes, te exploravam…
Num libidinoso e carnal desatino,
desabotoei-te a blusa de cetim.
Teus seios, túmidos de desejo, revelaram-se…
tinham eles a brancura imaculada do marfim.
Teus mamilos róseos e tesos
por meus lábios sedentos… esperavam…
com sofreguidão sorvi-os.
E como se fossem a última esperança
de um soldado no deserto,
regalei meus lábios sequiosos naqueles
úmidos cantis...
Não havia mais volta…
Entregamo-nos de vez à insana perversão.
E foi nesse momento que ousei um pouco mais…
tirei-te do corpo o último escudo.
E nesse arroubo febril
rasguei sem querer
a sedosa e úmida calcinha...
Meus olhos, apressados, percorreram ávidos
o caminho que ia de teus joelhos ao local desejado…
e devo confessar… ficaram extasiados
quando o calabouço, lúbrico de desejo,
revelou-se…
E na carnalidade desse doce desatino,
penetrei-te...
como um caçador penetra a selva escura,
sem saber bem o que invade e o que viola,
penetrei-te...
Seu corpo sobre o meu
contorcia-se freneticamente,
dobrando-se e elevando-se,
na plenitude famélica do gozo.
E foi num contubérnio idílico de sibaritas,
corpos à beira da apetitosa lassidão,
que juntamos ao alto nossos braços tesos
na simultânea intensidade da devassidão…
De Hyppólito (Elsio Poeta)
Poema escrito em 2017

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