Quando estamos velhos, não caminhamos para o futuro,
só marchamos firmemente para o passado.
Pois... nada do que há além do nosso tempo nos encanta ou nos seduz.
Quando percebemos que estamos ficando velhos...?
Não...! Não é pela imagem no espelho refletida,
pois com o passar do tempo nem prestamos mais atenção nela...
Não...! Não é a dor nos joelhos, nas costas e nas juntas...
pois com o passar do tempo nem as sentimos...
Vamos nos acomodando a elas...
Não...! Não é a irritação, a falta de paciência...
a vontade de consertar o mundo do nosso jeito...
e nem o desespero de ver que isso em nada resulta...
Percebemos que estamos ficando velhos
quando começamos a nos emocionar com coisas “bobas” ...
tais como: um certo aperto no peito
quando vemos nossos filhos com a mochilinha nas costas,
indo para a escola e, pouco a pouco, perceber...
a imagem deles desvanecendo-se lentamente na distância...
Pois nos parece que são eles que partem...
quando na verdade...
somos nós que estamos partindo.
Percebemos que estamos velhos
quando notamos quanta coisa boa não aproveitamos,
quanto bem deixamos de fazer...
Quando sentimos o passado
longe demais para tocá-lo;
o futuro distante demais para alcançá-lo;
e o presente perto demais para senti-lo...
De Hyppólito (Elsio Poeta)
Poema escrito em
30/11/2023 (60 anos)

Um comentário:
Poeta, que poema sereno e ao mesmo tempo cortante. A parte em que você diz que a velhice não é dor no corpo nem no espelho, mas o aperto no peito ao ver os filhos indo para a escola com a mochilinha, é de uma sensibilidade enorme. O final com o passado longe, o futuro distante e o presente intocável fecha tudo com uma melancolia sábia. Parabéns, poeta. Texto lindo.
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