Poema escrito em meados de 2002, por ocasião
da morte de minha querida mãe. (continuação de "Vade Cum Deo Matre")
“Adormeceste
para sempre,
baixando à terra com as margaridas...
E à noite o céu era um jardim do Oriente,
florindo em luzes pela tua vinda!
Anoitecia
no meu pensamento...”
Da Costa e Silva
E despertei... E como foi duro, do
sonho despertar.
A mente cansada, tentando em vão as
ideias conjugar,
abri a janela e vi que o sol
nascia...
Indiferente a toda dor... cinicamente
ele nascia...
E quanto mais no céu ele
brilhava...
mais escuridão em minh’alma havia.
Lembrei-me, com um doce amargor, dos
tempos idos,
e chorei por ver tantos sonhos e
crenças destruídos...
Um desânimo profundo apoderou-se de
meu corpo,
em nada mais acreditava... na vida,
no amor e até em mim.
O ser humano, em desespero, culpa tudo
nesta ansiedade,
até Deus... até o destino... até a
eternidade...
O dia foi longo e perverso... a noite
tardou a chegar...
abri a janela novamente e vi minha
dor misturando-se ao luar...
Velhos remorsos vieram à tona, cenas do passado vinham e voltavam
num torvelinho cruel de imagens
antigas...
Lembranças guardadas no cofre das recordações.
Olhei para o céu e, entre as estrelas... juro... vi teu rosto... Coisa insana!
Talvez a lamentar a minha pobre e
execrável condição humana...
De Hyppólito (Elsio Poeta)

Um comentário:
Que texto doloroso e verdadeiro, Elsio. O contraste entre o sonho reconfortante e o despertar cruel, com o sol nascendo indiferente, é de cortar o coração. A parte em que você compara a dor do último olhar à do primeiro é uma das mais fortes que já li sobre luto. Você consegue transformar sofrimento em poesia sem cair no piegas. Muito bonito. Força aí, poeta.
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