PREFÁCIO

 

A minha melhor poesia é aquela que nunca escrevi

e que talvez nunca escreverei.

Morrerá silenciosa,

como uma lágrima seca dentro de mim.


                                                                De Hyppólito

 

domingo, 17 de agosto de 2025

Templum Vastatum


                                                                  








Templum Vastatum

 

“Afinal, é o costume de viver
que nos faz ir vivendo para a frente.
Nenhuma outra intenção, mas, simplesmente
o hábito melancólico de ser...”

Vai-se vivendo... e muitas vezes nem sentimos
Que somos sombras, que já não somos mais nada
Do que os sobreviventes de nós mesmos!...

Raul de Leoni – Decadência (excerto)

 

Caminhando pelo mundo, sinto-me um ser de outro planeta,

um alienígena, um zumbi saído de alguma catacumba sinistra,

um foragido que vagueia sem rumo pelas ruas,

preso ao pesado grilhão dos “tempos idos”.

 

A mim me parece que já não faço parte desta turba insana,

que segue pela rua, em frenéticas volições inconsequentes,

que segue cantando, convulsiva e louca,

a nênia repetitória da miséria humana...

 

Tudo que falo soa inútil, retrógado, inconsistente...

O que penso não importa, o que acho...? Tanto faz...

Sou apenas uma ameba transitiva... um aluado... um demente...

que vê o mundo como se fora um templo inglório,

promíscuo e decadente.

 

Quisera eu, como um “Sansão cego e ensandecido”,

incólume este templo penetrar,

e ao abraçar seus alicerces carcomidos...

ver toda essa tragédia humana sobre mim

desmoronar...!

                                                                                De Hyppólito (Elsio Poeta)


Poema escrito em 2025



Um comentário:

Anônimo disse...

Elsio, que poema forte e doloroso. A imagem do mundo como um templo ruindo na indiferença da humanidade, e você se sentindo um alienígena, um zumbi preso ao passado, é de cortar o coração. A parte em que você diz “tudo que falo soa inútil... tanto faz...” e depois deseja ser Sansão derrubando tudo (inclusive a si mesmo) é de uma honestidade brutal. Você consegue transformar revolta e vazio em poesia sem cair no drama vazio. Parabéns pela coragem de colocar isso no papel. Continua escrevendo, poeta. Um abraço grande.