Templum Vastatum
“Afinal,
é o costume de viver
que nos faz ir vivendo para a frente.
Nenhuma outra intenção, mas, simplesmente
o hábito melancólico de ser...”
Vai-se
vivendo... e muitas vezes nem sentimos
Que somos sombras, que já não somos mais nada
Do que os sobreviventes de nós mesmos!...
Raul
de Leoni – Decadência (excerto)
Caminhando pelo mundo, sinto-me um ser
de outro planeta,
um alienígena, um zumbi saído de
alguma catacumba sinistra,
um foragido que vagueia sem rumo pelas
ruas,
preso ao pesado grilhão dos “tempos idos”.
A mim me parece que já não faço parte
desta turba insana,
que segue pela rua, em frenéticas volições
inconsequentes,
que segue cantando, convulsiva e
louca,
a nênia repetitória da miséria humana...
Tudo que falo soa inútil, retrógado, inconsistente...
O que penso não importa, o que
acho...? Tanto faz...
Sou apenas uma ameba transitiva... um aluado...
um demente...
que vê o mundo como se fora um templo inglório,
promíscuo e decadente.
Quisera eu, como um “Sansão cego e ensandecido”,
incólume este templo penetrar,
e ao abraçar seus alicerces carcomidos...
ver toda essa tragédia humana sobre
mim
desmoronar...!
De Hyppólito (Elsio Poeta)
Poema escrito em 2025

Um comentário:
Elsio, que poema forte e doloroso. A imagem do mundo como um templo ruindo na indiferença da humanidade, e você se sentindo um alienígena, um zumbi preso ao passado, é de cortar o coração. A parte em que você diz “tudo que falo soa inútil... tanto faz...” e depois deseja ser Sansão derrubando tudo (inclusive a si mesmo) é de uma honestidade brutal. Você consegue transformar revolta e vazio em poesia sem cair no drama vazio. Parabéns pela coragem de colocar isso no papel. Continua escrevendo, poeta. Um abraço grande.
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